Entrevista onde respondemos a questões relativas à nossa vida no ensino superior.
Qual foi a tua primeira impressão da Faculdade?
J: Reparei de imediato que a Faculdade de Direito tem portas automáticas e a de Letras não. A minha primeira impressão até nem foi muito má, na verdade. Após ter passado seis anos na mesma escola, soube-me bem mudar de ambiente e ver caras diferentes. E apesar de a Faculdade não estar nas melhores condições, acho que vou gostar de ser aluna lá.
M: Na verdade, já conhecia a famosa fachada da Faculdade, pois visitei-a durante uma visita de estudo no Secundário. Lembro-me de pensar no quanto desejava conseguir entrar num curso dessa Faculdade, e poder entrar por aquele átrio que tanto me fascinou. E não estou a brincar.
R: Recordo-me da primeira vez que vim à Faculdade de Letras: foi na visita-de-estudo, já mencionada pela Marta, à Torre do Tombo. Enquanto aguardávamos a chegada do autocarro, eu e alguns colegas decidimos espreitar o interior da Faculdade, que, um dia, seria a nossa. Foi uma experiência aterradora, confesso. Era um dia de aulas normal, logo encontrava-se imensa gente sentada nos degraus da escadaria. Éramos todos mais novos, estranhos num ambiente que não o nosso. Começaram a olhar-nos de soslaio. Foi muito intimidante, a sério. Não fomos para além do átrio. Nesse dia, limitei-me a apreciar a fachada do edifício, a estudar os seus pormenores. Foi em Setembro passado, no dia das inscrições, que voltei a entrar nesta Faculdade; e a sensação foi completamente diferente. Já não prestei tanta atenção ao edifício em si, observando antes as pessoas e, de certo modo, avaliando o ambiente do local. Fisicamente, estava tudo igual à minha última visita, no entanto já não me senti deslocada. Tive, nesse mesmo dia, a oportunidade de fazer um passeio pelo recinto e, a nível de estruturas, penso que a Faculdade é bastante deficiente, por ser já muito antiga e por não ter sido remodelada e modernizada recentemente. Algo que devia definitivamente mudar.
O curso está a corresponder às tuas expectativas iniciais?
J: Não vou dizer que é exactamente o que eu estava à espera, porque não é. Penso que tinha expectativas demasiado elevadas em relação ao curso [Ciências da Cultura]. Parti do pressuposto que as cadeiras seriam tão interessantes quanto o nome que têm. Acho que este curso, embora pretenda abranger várias áreas e embora tenha cadeiras bastante estimulantes, não consegue cumprir o seu objectivo plenamente. Isto porque existem lacunas: o curso tem demasiadas cadeiras de Linguística e poucas, ou nenhumas mesmo, de Literatura.
M: Infelizmente, não posso dizer que esteja a corresponder às minhas expectativas primordiais. Eu tinha a plena consciência que este curso não iria ser fácil (e posso já confirmá-lo, apesar de ainda estar no 1º semestre). No entanto, tal como a Joana disse, pensei que as cadeiras iriam ser tão interessantes quanto o nome que representavam e... acabaram por não o ser. Penso que há algo que todos os meus colegas devem ter em conta: este curso é novo e as respectivas arestas ainda precisam de ser limadas.
R: Vou ser sincera. Não tenho perfeita noção de quais eram as minhas expectativas do curso. Aconselharam-mo, disseram que era inovador e diferente de todos os outros que já existiam dentro da área, com cadeiras interessantes e algo originais. As saídas profissionais agradaram-me, pois giram à volta daquilo em que gostaria de trabalhar. Mas, de facto, não sabia o que esperar. Tal como aconteceu com a Joana e a Marta, algumas cadeiras surpreenderam-me pela negativa, não sei exactamente se sou eu que não estou a gostar da matéria leccionada ou se apenas não a compreendo. E claro, tenho pena de não ter nenhuma cadeira de Literatura, faz-me falta, já que é algo de que gosto imenso. Felizmente, tenho sempre a hipótese de colmatar esta ausência através das opções livres no segundo e terceiro anos. Por outro lado, temos imensa Linguística, que, por se repetir um pouco, torna-se maçadora.
Qual é a tua cadeira preferida? Porquê?
J: Provavelmente é História das Ideias Contemporâneas. Gosto imenso de todas as matérias e penso que é uma disciplina em que se aprende de facto algo de útil, para além de aumentar o nosso conhecimento em geral. Tem um programa interessantíssimo, sem dúvida. Além disso, como não tive oportunidade de estudar de forma mais aprofundada estes assuntos no Secundário (Freud, o Marxismo, a Pós-Modernindade, ...), aproveito agora para o fazer.
M: É, sem dúvida, História das Ideias Contemporâneas. A única razão que eu encontro para esta minha escolha é o facto de ter ignorado História durante os meus anos no ensino Básico e Secundário. Esta atitude revelou-se, mais tarde, uma decisão muito infeliz, pois, actualmente, vejo que preciso das bases (que essa disciplina me poderia ter concedido, se ao menos tivesse prestado mais atenção às aulas) para poder formar-me enquanto pessoa e... bom, poder expandir os meus conhecimentos.
R: De momento, a minha cadeira preferida é Inglês. Sempre gostei muito da língua. Ajuda ter um professor simpático, que ensina bem e cujas aulas não são chatas e paradas. Nesse aspecto tive sorte. E TIC, TIC também é fixe.
Relata o teu melhor momento na Faculdade até agora.
J: Por acaso não faço ideia qual terá sido o melhor momento na Faculdade... Ainda estamos muito perto do princípio para responder a esta pergunta. Daqui a uns anos pensarei novamente nesta questão e aí lembrar-me-ei, sem dúvida, dos momentos bem passados e dos colegas que nunca mais vi, das horas mortas passadas na esplanada com a turma e das tardes intermináveis na Biblioteca. Até agora, o melhor momento que passei aqui na Faculdade deve ter sido o dia das matrículas: a novidade, o andar de um lado para o outro à procura da sala certa, o deambular curioso pelos corredores que, naquela altura, me pareciam labirínticos... Espero, contudo, que surjam outros, que mais tarde recordarei quando me voltarem a fazer esta pergunta.
M: O meu melhor momento na Faculdade provém de um dos piores que já tive. Não vou debruçar-me sobre este último, é claro, mas posso dizer que, através dele, houve uma espécie de abertura entre os meus colegas de turma e uma inter-ajuda e simpatia mútua que me alegrou imenso.
R: Se fosse minimamente histérica, diria que o meu melhor momento foi quando vi o Ricardo Araújo Pereira nos corredores da Faculdade. Esse não é o caso. Calculo que o meu melhor momento tenha sido quando descobri que havia um atalho para o PN. Nah, nem por isso. Mas não me ocorre nada, o que me leva a crer que ainda não aconteceu nada de muito significativo que guarde com carinho na memória. Mas apreciei todas as vezes em que a turma se reuniu e convivemos todos.
Se pudesses, o que mudarias na Faculdade?
J: Para além do óbvio? Isto é, a Faculdade não é propriamente nova, logo precisaria de algumas obras: os tectos estão num estado lastimoso, as salas do Pavilhão Novo deveriam ser mais quentinhas e algumas salas e os departamentos deviam estar identificados de forma mais visível. Penso que a maioria das mudanças que eu faria seria ao nível das infra-estruturas...
M: Apenas uma coisa: as salas do Pavilhão Novo deviam ser minimamente remodeladas, para que as aulas lá fossem menos dolorosas (em termos do frio excessivo durante o Inverno, por exemplo). É só.
R: Concordo com o que já foi dito. A Faculdade é bastante antiga. Basta olhar para cima, para ver os buracos no tecto, candeeiros pendentes ou sem luz, rachas nas paredes, e por aí fora. Talvez um melhor aproveitamento dos espaços exteriores fosse desejável. E o facto de as salas com acesso a computadores não disponibilizarem sistema de som pode ser bastante frustrante quando se quer mostrar um vídeo ao resto da turma.
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